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Maré de Sangue

Livros/Lançamentos

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data1/1/2009
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Num futuro indeterminado, a cidade de Londres está isolada do resto do mundo e dividida entre dois clãs rivais, circundados por seres geneticamente alterados.

Maré de Sangue (Bloodtide) – 1999, Melvin Burgess. Ed. Rocco (2009), 375 páginas.
Melvin Burgess é apresentado como um autor de livros para crianças e jovens adultos, mais conhecido por Mandando Ver (Doing It, 2003. Ed. Rocco), que lida com as primeiras experiências sexuais de um grupo de adolescentes e foi transformada em série de TV, já apresentada no Brasil.
Maré de Sangue é o primeiro de dois livros (o segundo é Bloodsong, 2007) baseados na saga mitológica islandesa chamada Volsunga, uma lenda escrita no século 13 e que, segundo alguns estudiosos, é uma versão islandesa da lenda dos Nibelungos. Aqui, a história se passa num futuro indeterminado, com Londres isolada do resto do planeta e em poder de dois clãs rivais, os Volson e os Conor, na verdade duas gangues que se tornaram donas da cidade quando ela foi isolada do mundo.
Em torno da cidade, existe uma terra de ninguém na qual circulam os meio-homens, seres geneticamente modificados pelos cientistas da cidade de Ragnor, colocados ali para impedir que os habitantes de Londres saiam e ataquem as demais comunidades.
Volson e Conor combinam uma união para acabar com o conflito entre eles, por meio do casamento da filha de Volson, Signy, com o próprio Conor. Mas trata-se de um plano de Conor para acabar com os Volson e dominar completamente Londres e, posteriormente, levar uma guerra para o restante do mundo, liquidando com os meio-homens e depois com as demais cidades.
Nesse ambiente, surge Odin – que não se sabe se é o próprio deus ou uma criatura geneticamente modificada – que deixa uma faca cravada numa pilastra. Apenas Siggy, irmão gêmeo de Signy, consegue retirar a faca, que Conor desejava para si. A história se estende por muitos anos, seguindo a vida dos dois irmãos e os eventos que os colocam no centro de transformações radicais na sociedade.
Apesar de ser apresentado como um livro para jovens, é repleto de cenas violentas, às vezes explícitas, com uma visão aterradora de um futuro em que a vida na metrópole se tornou praticamente impossível. Muito bom.